MATANZA – ELA ROUBOU MEU CAMINHÃO

O vocalista do Matanza sempre teve fama de mau. Hoje mais calmo, longe do álcool tão cantado em suas músicas, Jimmy conta como tudo começou:

“Quero ser muito escroto, tô muito a fim de ser escroto. To a fim de que neguinho olhe pra mim horrorizado. A pilha era essa, a gente tava de saco cheio, era uma época em que o grande lance era um sonzinho assim, assado, tinha muito Los Hermanos. Aí, a gente falava: ‘Vamos arrumar briga e fazer um disco assim, música pra beber e brigar’”.

Seu nome não é Jimmy. De onde veio esse apelido? Quando eu entrei a banda já exista, eu já era grandão, maior que todos os caras, mas era o mais novo. E eles diziam: “Cala a boca, Dimenor”. Aí, pegou e começaram a me chamar de “Dimi”, e ficou essa merda. Meu nome mesmo é Bruno Munk London; o Munk é húngaro e o London é polonês. De irlandês você não tem nada? Porra nenhuma.

As canções do Matanza em geral falam de bebidas, mulheres, confusões. Essa é a sua realidade, a realidade do banda?
Eu acho que ninguém vive a realidade da sua arte, o Picasso não era um monte de quadrados na época do Cubismo. A realidade é que somos nós que compomos as canções. Fernando Pessoa falava que o mundo não era ideia dele, a ideia dele era a ideia que ele fazia do mundo. Na realidade a gente só está falando o que pensa.
Você não bebe há seis anos, mas nas suas canções você sempre exalta o goró, a bebedeira. Nunca foi acusado de ser falsário por algum fã?
Eu não sou exemplo de vida para porra nenhuma, sou apenas um músico. Já cansei de falar para as pessoas não me levarem a sério, quem me leva a sério está muito errado. Eu particularmente me sinto totalmente no direito de exaltar o goró, porque eu adoro. Eu parei de beber porque eu cansei dele e ele cansou de mim, a gente está dando um tempo. Ninguém reclamou quando eu escrevi “Eu Não Bebo Mais” no primeiro disco, e eu bebia na época. A melhor resposta para quem pensa esse tipo de coisa é a letra de “O Chamado do Bar”. Eu não devo nada para ninguém.

 

Baú do Rock

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