Acusações de plágio envolvendo Iron Maiden, Guns n’ Roses, Nirvana e Led Zeppelin - O MELHOR DA MÚSICA NA WEB

Acusações de plágio envolvendo Iron Maiden, Guns n’ Roses, Nirvana e Led Zeppelin

“Hallowed be thy name” – Iron Maiden

“Sweet child o’mine” – Guns n’ Roses

“Come as you are” – Nirvana

“Stairway to heaven” – Led Zeppelin

4 exemplos de hits, de grandes nomes do Rock, que estiveram envolvidos em acusações de plágio.

“Hallowed Be Thy Name” do Iron Maiden x “Life’s Shadow” do Beckett

Veio a tona esta semana, a notícia que a banda Iron Maiden está sendo processada por um suposto plágio na composição “Hallowed Be Thy Name”. Isso fez com que o grupo retirasse a música do seu setlist nos próximos shows, apesar dela ter sido eleita pelos fãs da banda como a melhor música de toda a carreira.

A banda está sendo processada pelo empresário Barry McKay, que alega que o Iron Maiden copiou a frase “Mark my words believe my soul lives on / Don’t worry now that I have gone” da música “Life’s Shadow”, canção da banda Beckett onde a letra diz “Others are glad to see him gone / Mark my words my soul lives on”.

Recentemente o grupo fez um comunicado ao público: “Para a segunda parte da turnê The Book Of Souls, algumas mudanças foram necessárias; a primeira foi uma nova música do novo álbum e porque fomos avisados de um processo legal, a segunda mudança é substituir Hallowed Be Thy Name”.

A assessoria Iron Maiden Phantom Management que responde pelo grupo também emitiu um comunicado sobre o assunto: “A disputa se trata da música Life’s Shadow, uma música originalmente escrita no começo de 1970, com créditos a Robert Barton e Brian Ingham, gravada pela banda Beckett. Steve Harris era um fã de Beckett e algumas linhas da letra foram referenciadas na música Hallowed Be Thy Name. Até onde Steve sabia, essa questão já estava resolvida há anos, com um acordo com Robert Barton. Qualquer evidência apresentada pelo Sr. McKay será analisada detalhadamente e teremos uma defesa em tribunal no momento certo

Relembre outros casos de grandes bandas do Rock que também tiveram um dos seus hits envolvidos em acusações de plágio:

“Sweet Child O’Mine” do Guns n’ Roses x “Unpublished Critics” da banda Australian Crawl

A música “Unpublished Critics”, faixa do álbum “Sirocco” da banda Australian Crawl foi lançada 4 anos antes do Guns n’ Roses existir, mais precisamente em 1981. O disco foi lançado pela Geffen Records, exatamente a mesma gravadora que lançou posteriormente o álbum de estréia do Guns, o “Appetite for Destruction”, trazendo o primeiro hit “Sweet child o’mine”.

Exceto pelo fabuloso riff de guitarra criado pelo Slash na canção do Gn’R, de resto, o instrumental é muitíssimo parecido com a música da banda australiana. Ficou bem evidente a influencia: a mesma harmonia (seqüência de acordes), a melodia da voz muito parecida nas estrofes, seguida por um refrão que “explode” começando com uma vogal esticada (Ooooohhhh, ohhhh, ohhh no Guns / Aaaaaaah no Australian Crawl). Como “muito parecido” é diferente de “igual, no caso de uma disputa por direitos autorais, talvez o grupo de Axl até ganharia legalmente a causa, mas moralmente é notória a intenção de “se inspirar demais” na obra alheia.

Escute as duas músicas e compare:

“Sweet Child O’Mine” do Guns n’ Roses:

“Unpublished Critics” do Australian Crawl:

“Come as you are” do Nirvana x “Eighties” do Killing Joke

Kurt Cobain chegou até a pedir a gravadora que não lançasse “Come as you are” como uma música de trabalho nas rádios e clipe na MTV. Ele queria que esta fosse uma faixa lado b do seu repertório pelo fato de ser muito parecida com “Eighties, música do grupo Killing Joke, que Kurk era fã declarado! Ele disse ter se inspirado neles para compor “Come as you are”, mas ao reconhecer que o riff de guitarra na introdução da música era parecido demais, tentou evitar a canção. Em vão, a música do Nirvana foi um sucesso e para a sorte de Cobain, o Killing Joke nunca processou a banda, talvez porque geralmente o plágio é caracterizado em cima da melodia da voz e não de um riff, que se enquadra como arranjo e não como composição.

Escute as duas músicas e compare:

“Come as you are” do Nirvana:

“Eighties” do Killing Joke:

 

“Stairway to heaven” do Led Zeppelin x “Taurus” do grupo Spirit

As duas bandas já tocaram juntas, inclusive o primeiro show do Led Zeppelin nos Estados Unidos, em 1968 foi abrindo o show da banda americana Spirit. O guitarrista do Zeppelin e compositor de “Stairway to heaven”, Jimmy Page, declarou que gostava da banda Spirit e que chegou a ouvir algumas das músicas da banda no rádio na década de 1960, mas que “Taurus” não era uma delas. Ele disse ainda que o Led Zeppelin tocou diversas vezes um riff da canção “Fresh garbage“, da Spirit, nos shows que fez em 1968, como parte de um medley com “As long as I have you“.

Mas Jimmy Page jura que não copiou a progressão descendente de quatro acordes que está no centro do processo, mas confirmou que possuía o disco da banda Spirit, de 1968, que contém “Taurus“. Mas, segundo o guitarrista do Led Zeppelin, esse é apenas um dos mais de 9 mil discos de vinil e CDs que fazem parte de sua coleção pessoal.

Na primeira batalha na justiça, o grupo Spirit tentou acusar de plágio mas a sentença foi favorável ao Led Zeppelin. Agora o advogado da família de Randy, guitarrista da banda Spirit, tenta outra estratégia: incluir o nome de Randy como co-autor de “Stairway to heaven” alegando que essa inclusão deve se dar por outra razão muito mais aplicável neste caso: “Taurus” é uma música incidental* em “Stairway To Heaven”.

*Entenda: Música incidental pode soar como algo que aconteceu por incidente. Serve também para citações, desde que não sejam temas centrais. Por exemplo, é música incidental se eu fizer um “uh la la” ou “tcha tcha tcha” de backing em alguma música. Não é porque alguém fez antes que ninguém mais pode fazer.

Escute as duas músicas e compare:

“Stairway to heaven” do Led Zeppelin:

“Taurus” do Spirit:

 

Existem casos onde realmente a intenção de copiar algo foi proposital e consciente. Mas vale lembrar que isso também pode ocorrer sem a intenção. É fato que a influencia musical existe para todos e às vezes, de forma subconsciente, na hora de compor, algo que nós escutamos e ficou gravado em algum lugar da nossa cabeça pode acabar vindo sem a gente nem perceber ou lembrar que foi vindo de outra criação já existente. Soma-se a isso o fato de que a música é feita com apenas as 7 notas (dó, ré, mi, fa, sol, la, si) e suas variações (bemol, sustenido, maior, menor, etc) e que existe uma limitação harmônica (Não cabe usar todos os acordes em uma única canção). Praticamente tudo que poderia ser explorado na música em termos de harmonia já foi experimentado, então chega a um determinado momento em que as harmonias tem que se repetir para que existam novas músicas. Um bom exemplo disso é o vídeo abaixo, onde diversas músicas com melodias diferentes foram feitas em cima da mesma harmonia, o que NÃO se caracteriza como plágio! Veja:

About the Author: Tomaz Sussekind

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