Bruce é entrevistado por Tom Hanks e fala sobre sua carreira

Não é de hoje que o cantor e o ator se encontram. Recentemente, os dois estiveram juntos em uma viagem no iate do casal Obama e há pouco mais de três anos até saíram para jantar com suas mulheres. Inclusive, já estavam juntos no cinema, quando em 1993 no filme “Filadélfia” (Jonathan Demme), Bruce escreveu a trilha sonora “Streets Of Philadelphia” e Tom Hanks fazia o protagonista Andrew Beckett.

Antes do bate papo começar no Beacon Theatre, em Nova Iorque, Tom bradou “Deus abençoe Jonathan Demme!”, em referência ao falecimento do diretor na última quarta-feira. Bruce continuou: “Ele era um cara tão inspirador. Sem Jon, não existiria “Filadélfia” nem “Streets Of Philadelphia”.

Sobre “Streets Of Philadelphia”.

Só me tomou dois dias. Eles tinham o Neil Young, que gravou “Philadelphia”, a música que encerra o filme, e Demme queria um rock para o começo. Então eu disse que tentaria fazer algo. Fui para o meu pequeno estúdio e por um dia ou dois tentei extrair algo, mas não obtive nada. Eu tinha algumas letras. Então eu gravei essa pequena batida e uma trilha, só que percebi que não era aquilo que ele queria. Mandei para ele mesmo assim e perguntei “o que acha?” e ele respondeu “ótimo!”.

Por que New Jersey é tão importante para sua imagem.

Nós estávamos em São Francisco e acabamos tocando nesse pequeno clube chamado The Matrix em troca de cachorros-quente e dinheiro do pedágio. Estou no banheiro mijando do lado desse cara e ele diz: “Vocês são muito bons, de onde são?”. E eu: “Jersey”. Ele indagou: “O que é isso?” Não disse “Onde é isso?”, ele disse “O que é isso?”. Outra coisa é que quando eu fiz meu primeiro disco, eles estavam tentando me aproximar de Nova Iorque, e eu sentia que eu não era um artista Nova Iorquino. Vagando pelo calçadão eu peguei o cartão postal “Saudações de Asbury Park”, e foi New Jersey pra todo lado desde então.

Greetings From Asbury Park, N.J., seu primeiro álbum.

Inicialmente eles queriam que eu fosse um cantor de folk, que era o que eu parecia quando cheguei ao escritório do John Hammond. John queria que fosse um disco solo, apenas eu e meu violão. Nós queríamos fazer um disco de rock. Nós ficamos num meio termo com um tipo de seção rítmica e música acústica. Dylan e Van Morrison eram grandes influências para mim na época.

Dificuldades em Born to Run.

O maior problema que tínhamos era que não sabíamos o que estávamos fazendo, sem noção nenhuma de como fazer discos. Jimmy Lovine, que se tornou o engenheiro de som, acho que era a primeira vez que ele fazia esse tipo de trabalho. E nenhum de nós realmente sabia – nós apenas entrávamos e fazíamos barulho até que soasse bom quando saía do alto-falante.

A influência de filmes em Darkness On The Edge of Town.

Aquele foi o primeiro álbum que foi realmente influenciado por filmes. Um dos meus grandes mentores foi Jon Landau, que era crítico de filmes, e ele me levou a assisti-los. O que mais me lembro é “As Vinhas da Ira” do John Ford me tocou muito, muito profundamente – Eu disse, ‘Eu quero um pouco disso na minha música.’ Então vieram “The Promised Land”, “Racing In The Street”.

“No Surrender” ficaria de fora do álbum “Born In The U.S.A.”

Stevie me convenceu a manter a música. Me lembro de na época achar que era sem substância. Ainda penso isso. Mas Stevie disse ‘Não, não, não – é sobre a banda, a irmandade da banda, dos fãs.’ Eu dei a ele o benefício da dúvida. Tocamos muito desde então. Eu sempre tive sentimentos mistos sobre o disco.

A música não substitui a experiência vivida.

Todos os artistas em algum ponto acreditam que podem viver dentro de sua arte. O que você aprende é que você não pode. No final do dia, é apenas o seu emprego. É apenas o seu trabalho. A vida te aguarda fora dessas coisas. Na música, nós criamos nossos próprios mundinhos. Nós o fazemos, vendemos a vocês, e vocês podem viver neles por um tempo, e eles podem ser importantes – acompanhá-los pelo dia, pela noite, mudar seu modo de pensar, a sua aparência, seu modo de vestir, a maneira que você aborda sua própria vida. Ou eles apenas te emocionam com três minutos de felicidade. Mas eles não podem te dar uma vida.

Fonte desta matéria: www.brucespringsteenbrasil.com

Baú do Rock

About the Author: Tomaz Sussekind

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