Bailão grunge revive os anos 90

Stone Temple Pilots e Bush fizeram shows empolgantes e nostálgicos com os seus velhos hits, nesta sexta (15) no Rio de Janeiro

Os grunges que não vieram de Seattle.

Crias da mesma cena grunge que revirou ao avesso as estruturas do Rock no começo dos anos 90, os veteranos Bush e Stone Temple Pilots fizeram parte do mesmo movimento musical que revelou Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains. A diferença é que, ao contrário destes citados, os representantes do grunge que subiram ao palco do Km de Vantagens ontem no Rio de Janeiro, não são de Seattle. O Stone Temple Pilots é da California, enquanto o grupo Bush vem de Londres. Mas a divergência é apenas geográfica, pois a sonoridade e a representatividade é a mesma. Portanto, ontem foi sim uma noite de celebração ao grunge dos anos 90.

Em turnê conjunta pela América Latina e passando pelo Brasil, as duas bandas tem revezado a ordem dos seus shows. No Rio, assim como em São Paulo, o STP tocou primeiro e o Bush fechou a noite. Já em BH, eles devem colocar o Bush primeiro e o STP como headliner.

Novo vocalista do Stone Temple Pilots é praticamente um cover de Scott Weiland

Após o falecimento do seu vocalista e front man, o carismático e ”porralouca” Scott Weiland, que morreu vítima de uma overdose em 2015, o STP teve uma breve temporada com o também falecido Chester, do Linkin Park, nos vocais da banda. Porém, foi após a inclusão do seu novo e atual vocalista, Jeff Gutt, que o grupo retomou seus trabalhos e a carreira, com direito ao recente álbum inédito de 2018 que leva o nome da banda.

Jeff Gutt, que foi revelado no programa The X Factor, é um excelente vocalista! Gutt cumpre literalmente e fielmente (até demais) o papel de substituir Weiland. Ele tem o timbre de voz muitíssimo parecido, o visual também e pra complementar usa e abusa das dancinhas de ombro, rodadas, caras, bicos e todos os trejeitos característicos de Scott Weiland. Resumindo: imita o cara mesmo na maior cara-de-pau! Um cover nos mínimos detalhes. Falta personalidade própria, mas isso não é um problema. Fica notório que a intenção da banda não é dar uma cara nova e sim tentar reviver e deixar acesa a chama do que a banda fez no passado. Prova disso é que o set list é praticamente todo feito em cima dos álbuns Core (1992) e Purple (1994). No repertório apenas duas canções do mais recente e homônimo álbum gravado já com Jeff Gutt nos vocais: “Meadow” e “Roll me under”. Da fase com Chester eles não tocaram nada.

9:20 da noite começou a apresentação do STP em um show repleto de hits! Abriram os trabalhos com a sequencia: “Wicked Garden”, “Crackerman” e “Vasoline” que você pode conferir aqui na live feita na Fanpage do Baú do Rock no Facebook:

Outros sucessos do grupo que agradaram bastante foram Big Empty, Creep, Big Bang Baby e no final do show o hit Sex Type Thing que faz abrir uma roda punk onde o público pulou como se não houvesse amanhã. Antes da última canção do show, o guitarrista Dean DeLeo agradeceu ao Rio de Janeiro pela música de Tom Jobim.

“Plush” em versão diferente

Quanto ao principal hit que revelou o STP ao mundo, a canção “Plush” foi executada em sua maior parte apenas com uma guitarra clean (sem distorção) e o vocal de Gutt, para ao final da canção entrar o restante da banda como na versão original. Confira no vídeo abaixo:

Gavin Rossdale e seu grupo Bush encerram a noite com show empolgante 

Após o STP, chegou a vez do Bush dar continuidade ao “bailão grunge”. Com um empolgadíssimo Gavin Rossdale que parecia um moleque de 18 anos apesar dos seus 52. Já de cara, atacaram com o sucesso “Machine Head” como seu cartão de visitas. Falastrão, carismático e feliz, Rossdale interagia bastante com o público, apontava para as pessoas, cantava olhando no olho, distribuindo sorrisos, desceu do palco algumas vezes, cantou no meio da galera e até “nadou” no meio do público como se fosse uma grande piscina humana. veja:

O Bush fez uma versão para “Come Together” dos Beatles que foi muito bem recebida ao set list, somado a outros hits autorais como “Swallowed”, “Comedown” e a balada “Glycerine” onde o púbico iluminou com as lanternas dos seus smartphones, após Gavin pedir este auxílio e dizer “Me ajudem com as luzes, essa é a música da minha vida!” Foi uma noite mágica, ainda mais para quem viveu intensamente a cena Grunge nos anos 90. Confira:

Baú do Rock

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