Show do KISS em Columbus, Ohio, por Luiz Totti – Correspondente Internacional!

Beijos em Cristóvão Colombo

Não, esse texto não é sobre a História dos Estados Unidos, nem sobre um romance que o descobridor da América tenha vivido. Foi um trocailho sem vergonha para começar a falar sobre o show do KISS em Columbus, Ohio, que fomos assistir no último dia 16 de Março.

Columbus é a capital do Estado de Ohio, com uma população de aproximadamente 830 mil pessoas mas que, combinada com outras 44 pequenas cidades na area metropolitana pode chegar a 1,5 milhão de habitantes. No centro da cidade, há o que se chamou de “Arena district”, ou a região da Arena (Nationwide Arena), um dos principais locais para esportes, shows, concertos e outras atividades da região, ao redor da qual foram construidos muitos locais para eventos e muitos restaurantes, tudo com muita, mas muita segurança. A Arena é a casa dos times de Hockey no gelo Columbus Blue Jackets e Ohio State University, com capacidade para 18,5 mil pessoas em dias de jogos e até 20 mil pessoas em dias de shows.

Nationwide Arena (foto Greater Columbus Sports and Commission)

Indo para o show

Acredito que 99.9% das pessoas vão para o show em carros particulares, e o restante em Taxis ou Ubers (DataTT), uma vez que a cidade não tem metrô e possui poucas linhas de ônibus, mas isso não é um problema pois, por até U$ 10 você pode usar uma das 15 mil vagas de estacionamento a 10 minutos de distância do portão de entrada. Pasmem, não há flanelinhas, é considerado crime!

Não havia congestionamento, pois o respeito às leis de trânsito facilita o fluxo de veículos numa boa. Para se ter uma ideia, eu moro a cerca de 25 minutos da Arena, e saí de casa 30 minutos antes de abrirem os portões, com a certeza de que seria bem organizado. Chegamos ao portão pouco depois da abertura e já não havia mais filas, fomos para nosso assento não sem antes tomar uma cerva bem gelada e um hot dog de 225 gr!

Half Pound Hot Dog (Foto acervo pessoal

Lets rock and roll all nite – End of the Road world tour

Pois bem… o KISS anuncia esse como o último tour da carreira da banda… somente o tempo dirá, pois a banda já tinha feito o mesmo anúncio em 2000 e quase 20 anos depois, ei-los na estrada como uns bons velhinhos! De acordo com Paul Stanley (em entrevista à Rolling Stones), o fim da banda em 2000 se deu ao final de uma estressante jornada após ele e Gene terem decidido reunir a formação original, com Ace Frehley e Peter Criss e, ainda segundo ele, mais tarde ele percebeu que, na verdade, ele não queria se livrar da banda, mas de Ace e Peter. Vá saber, né!?!?!?

A abertura do show foi do pintor performático David Garibaldi que pinta ao som de rock de diversas bandas, partindo de uma tela preta e pintando rostos de gênios como Paul McCartney, por exemplo. Para encerrar e fazer a festa da platéia, ele mandou um “Brutus” (que é o mascote da OSU – Ohio State University, coisa sagrada para qualquer um nascido em Ohio) acompanhado dos 4 integrantes da banda. A galera veio abaixo.

Davi Garibaldi em ação (foto acervo pessoal)

Brutus e Kiss (foto acervo pessoal)

O line up veio com Paul Stanley nos vocais e guitarra, Gene Simmons no baixo e vocal, Tommy Thayer na guitarra e Eric Singer na batera e um espetáculo no piano, além de ajudar também nos vocais. Estávamos sentado na arquibancada ao lado esquerdo do palco, com uma visão privilegiada da banda… dá uma olhada nessa foto panorâmica:

Panorâmica Interna da Nationwide Arena (foto acervo pessoal)

Como todo show do KISS, a pegada é violenta nas cores, explosões e fogo… de onde eu estava dava para sentir o calor das chamas em praticamente todas as músicas, fantástico demais. Os caras ainda mandam MUITO BEM, o show inteirinho cheio de energia e intenso, puta interação com a galera, sem deixar ninguém quieto. Bem, isso é mais ou menos, né, por que na maioria dos shows que assisti em arenas aqui, o povo fica SEN TA DO a maior parte do tempo… é muita organização, né gente?

O set list passeou pela carreira deles de uma forma muito gostosa… quando o Garibaldi sai do palco, entra o  playback de Rock and Roll (um cover do Led) e logo veio a famosa frase de abertura: “You wanted the best, you got the best: the hotest band in the world” (vocês queriam o melhor, conseguiram o melhor: a banda mais quente do mundo).

Aí começou a pauleira… o setlist veio com as seguintes músicas:

Detroit Rock City (76 – Destroyer)

Shout it loud (76 – Destroyer)

Deuce (74 – Kiss)

Say yeah (2009 – Sonic boom)

Heven’s on fire (84 – Animalize)

War Machine (82 – Creatures of the Night)

Lick it up (83 – Lick it up)

100.000 years (74 – Kiss)

God of thunder (76 – Destroyer)

Cold Gin (74 – Kiss)

Psycho Circus (98 – Psycho Circus)

I love it loud (82 – Creatures of the Night)

Hide your heart (89 – Hot in the shade)

Let me go rock ‘n’ roll (74 – Hotter than hell)

Love gun (77 – Love gun)

i was made for loving you (79 – Dynasty)

Black Diamond (74 – Kiss)

Paradinha estratégica para o Bis…

Beth (76 – Destroyer)

Do you love me (76 – Destroyer)

Rock and roll all nite (75 – Dressed to kill)

Interessante notar que, das 21 musicas, nada menos que 14 vieram da década de 70 (7 de 1974) e outras 5 dos anos 80. Super volta ao passado! Sensacional

Sobre o show, como já comentei, os meninos ainda mandam muito bem, mas Gene Simons, para mim, é o super star… o cara domina o palco e ainda canta muito, dá ritmo e controla o palco. Paul, do alto dos seus 66 anos já começa a dar sinais de cansaço na voz (ok, alguns irão achar que estou sendo bonzinho) e isso já foi até motivo de treta entre os dois: Gene chegou a propor que somente ele cantasse nos shows, pois sua voz não falhava tanto. E pelo que vimos no show, concordamos! O Genio Simons manda muuuuito bem nos vocais e quando ele entra pra valer, a intensidade adrenalínica vai às alturas. Mas de verdade, com a potência do som e com o super som que banda tem, essas falhas do Paul, aos 66 anos de idade (se é que existem), não são percebidas pelo público.

Eu particularmente gostei muito, mas muito mesmo, dos solos. O do Eric Singer deve ter feito quem estava mais próximo do palco chorar, uma pauleira intensa com ritmo e um certo suingue contagiantes… aí, quando parava e a gente achava que tinha acabado, lá vinha ele de novo e arrebentava. O do Tommy deixou todo mundo eletrizado e com arrepios pelo corpo, mas quando o filho da mãe do Gene começou o dele, o nível beirou o absurdo… ele foi começando leve, subindo a intensidade até praticamente incendiar o ginásio com sua boca cheia de sangue. Som pesado, dramático e, por que não, assustador. Lindo de ver

E, além de tudo isso, tivemos, logicamente, o tradicional “vôo” do Stanley sobre a platéia até o palco de suporte no fundo da arena, os músicos tocando do alto de guindastes, a guitarra que destrói o cenário com tiros de pirotecnia e, lóóóóóógico, o Paul arrebentando uma guitarra “preta brilhosa” (como disse minha esposa) no palco.

Tudo muito bom, altíssima qualidade de som e um show certamente inesquecível até para quem não tem o KISS como a sua banda preferida.

E eu vou voltando pra casa….

Na hora de sair, 20 mil pessoas se empurrando, querendo cortar caminho, desrespeitando as mulheres, completamente bêbadas e comprando cerveja antes de dirigir, certo? Errado! Primeiro que todos os bares e lanchonetes fecham as 10 horas, 1,5 hora antes do show acabar… isso, é claro, não impede o pessoal de ficar prá lá de Bagdad, mas dá uma aliviada boa.

A organização e o respeito ao sair da arena chega a ser assustador, todo mundo celebrando e cantando, tirando fotos com fãs fantasiados. Em menos de 10 minutos estávamos no carro e, na saída do edifício garagem, os carros iam se alternando para permitir que todos saíssem numa boa até chegar na rua, onde cones direcionavam os veículos de forma a não travar o trânsito. 40 minutos depois de acabar o show estávamos na garagem de casa.

Puta experiência, um show memorável e uma organização primorosa

Algumas fotos do show (baixa qualidade por terem sido tiradas com um celular), todas de acervo pessoal…

Baú do Rock

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