Banda Segundo Início, e a sua verdade Nua e Crua

Segundo Início – A Verdade Nua e Crua!

Edição de vídeo por Alex Gamin

Creio que todos nossos leitores, e os entusiastas do Rock, já sofreram algum tipo de preconceito em sua existência neste planeta , hora por suas tatuagens, por ver seu gênero musical atribuído a rituais religiosos tidos como maléficos, outrora por suas vestimentas pretas adornadas por caveiras, de fato criou-se um estereótipo,  proporcionando a grande massa da sociedade,  falsos conceitos , basta alguém revelar que sua preferência musical é o rock que os famigerados bordões surgem instantaneamente: “mas você não usa roupas pretas”  “você adora o diabo?”  “seu cabelo é curto! ”  (os calvos não podem curtir um bom rock? Estou perdido!)

Ponderando todos esses fatos, cremos que produtores, diretores etc… por estarem inseridos intimamente nesse cenário,  deixam a margem de suas seletivas qualquer preconceito,  inclinando apenas os ouvidos para o material que lhes são apresentados, afinal é de música que estamos falando, mas basta escutar a música “verdade nua e crua” da  Banda Segundo Início,  pra percebemos que estamos profundamente enganados, há um mensagem nela que merece ser entendida.

   Para compreendermos na essência essa música e suas motivações, visitamos a banda no seu ensaio semanal, que é realizado no estúdio Monolito,  de identidade visual única e acolhedora,  localizado em Mogi das Cruzes,  região metropolitana da Grande São Paulo.   E foi a partir desse encontro, que presenciamos quatro pessoas icônicas, com historias únicas, que exibem um brilho nos olhos inabalável ao falar de suas composições, mesmo após jornadas extenuantes de trabalho ao longo do dia, afinal em terras tupiniquins, são raras exceções, aqueles que conseguem viver exclusivamente da música em princípio de carreira,  e a estatística se repete para a banda Segundo Início, há dez anos, eles conciliam suas carreiras e dificuldades com a banda, pois o Paulo Vecchio (vocalista) é Médico Pediatra na UTI de um hospital, e com a banda consegue relaxar o stress,  Alan Domingues (guitarra) é Coordenador de projetos em uma empresa de equipamentos musicais,  Allan Mello (baterista)  é professor de música, e o Clay Tin (baixista) esta desempregado. Os  acompanhei  até a entrada do estúdio, ao passar a porta é notável o entrosamento entre todos, como se despissem de todas as dificuldades e títulos (literalmente) e embalados pela voz do Clay que pede com autoridade: “o mesmo empenho e tesão da primeira  vez pessoal”,  e após esse “ritual”, atendem o pedido e começam o ensaio, acompanhei a execução de “verdade nua e crua”, que deu notoriedade a banda nas mídias sociais,  por realizarem o clipe completamente nus como um protesto, e ao término do ensaio ainda sobre o efeito da adrenalina, todos relataram em seus depoimentos que a maior motivação é ter a oportunidade de deixar um legado musical, poder transmitir sua mensagem a todos, houve um súbito silêncio, todos se olharam, e o Alan Domingues interrompeu a pausa, sem delongas, abordou a principal inspiração da composição,  houve a oportunidade que todo artista anseia, ser convocado por um produtor, assinar um contrato, e ampliar a divulgação da banda, estava acontecendo pra banda, e até o dia em que estariam perante o tão sonhado objetivo, foi uma eternidade marcada pela ansiedade, angustia, preparação e entrega deles e seus familiares. Chegado o dia, todos se dirigiram até o vistoso escritório situado em algum lugar da Selva de Pedra de São Paulo, o êxtase já se misturava ao pudor diante de figuras conhecidas do meio musical que por ali estavam,  logo os anunciaram e os conduziram até a sala do produtor, reluzente como ouro, nesse momento notei um Alan deixando a excentricidade de lado para assumir um tom sério , raro de se ver, após uma breve pausa, relatou que ouviram comentários pejorativos e hostis sobre a aceitação do mercado em relação ao visual da banda, na integra, eram : gordos, feios, velhos e sem apelo, e que não iriam fechar o contrato! Por muito pouco a banda não acabou, afirmou o Alan, seguido apenas por um aceno de cabeça de todos, nítido que é um assunto que os incomoda,  emocionalmente quebrados e no meio do caos,  sem perspectivas, encontraram forças para se reinventar, desprezar o preconceito, compondo uma música que se torna um convite a múltiplas reflexões, a mais expressiva talvez seja:  quando gostamos de uma canção que tocou no rádio, estamos ouvindo ou vendo o artista? Nós o “mercado” somos preconceituosos ao ponto de tornar fidedigno o posicionamento desse produtor, afinal ele tem estatísticas em sua mesa. Não nos cabe julgar, creio que todos podem cometer equívocos, Eu gostei muito do resultado do trabalho que presenciei, e creio que mais de 1 milhão de pessoas que visualizaram via Youtube e outras redes sociais,  também  concordam com essa opinião, e ainda refletindo sobre a mensagem da música Verdade Nua e crua,  aprendi com eles, que todos podemos ser vitimas de preconceito, é a forma como reagimos que nos torna diferentes !  viva o Rock !

Baú do Rock