Treta Punk no Brasil por causa de cartaz polêmico


Em uma ilustração de divulgação para promover sua passagem pelo Brasil, em uma série de shows em comemoração a 4 décadas de existência, a veterana banda punk californiana Dead Kennedys está tendo muita dor de cabeça por causa de um cartaz polêmico feito pelo ilustrador brasileiro Cristiano Suarez, exclusivamente para os shows no Brasil.

O polêmico e provocativo cartaz causador da grande treta

Após o ex-Pink Floyd, Roger Waters, músico e declarado ativista de esquerda, ter passado por muita dor de cabeça e rejeição por parte de seu público brasileiro que não gostou de ver o britânico se metendo nesta perigosa, hostil e inflamável polarização política que tomou conta do Brasil, agora chegou a vez de outros gringos sentirem na pele as consequências de enfiar o dedo neste vespeiro.

A bola da vez é a banda ícone e veterana do punk rock, o Dead Kennedys, banda punk formada em 1978 onde muitas das suas canções criticam as ideologias de líderes e de entidades religiosas fundamentalistas de posição política conservadora, criticam o consumismo americano, a violência policial e defendem o anarquismo.

Ausência de Jello Biafra

Nesta passagem pelo Brasil, a grande e principal ausência no DK é a falta do seu carismático vocalista e líder, o punk Jello Biafra, que não faz mais parte da banda, para decepção e críticas de alguns fãs que não aprovaram a formação atual sem uma figura tão emblemática quanto Biafra.

O cartaz e a treta no Brasil

Para promover os shows no Brasil em maio deste ano: dia 23 no Rio, 25 em SP, 26 em Brasília e 28 em BH, o grupo lançou um polêmico cartaz com o desenho de uma “tradicional família brasileira” branca, com camiseta que remetem a da seleção, com nariz de palhaço, armas na mão, tanques de guerra, sorrindo enquanto favelas queimam ao fundo.

Era óbvio que uma grande e previsível treta iria acontecer, da mesma forma que aconteceu com Roger Waters, apesar de ser algo evidente que ambos artistas sempre foram ativistas engajados com bandeiras que vão contra o capitalismo e o conservadorismo agregados politicamente a direita.

Entre uma enxurrada de críticas e de elogios, a banda achou melhor apagar o post do cartaz e se retratar dizendo que não entendem da política brasileira para poderem opinar. O tiro saiu pela culatra. Não atraiu empatia dos críticos ao cartaz e ainda foi duramente criticado pelos fãs que haviam elogiado a arte promocional.

Críticas na fanpage e comparação com outros artistas “mais punks”

cartaz promocional do show do Pearl Jam no Brasil, com a crítica “Pearl Jam é mais Punk que vocês”

Em sua página oficial no Facebook o que mais vemos recentemente são comentários em português fazendo críticas, chacotas e memes contra a remoção do cartaz promocional, entre elas, frases como “Vivi pra ver a Madonna ser mais Punk do que o DK” ou “Roger Waters é mais punk do que vocês!”. Alguns lembraram do cartaz promocional do show do Pearl Jam (com a imagem de tucanos algemados, fazendo uma crítica ao tráfico de animais silvestres) e dizendo que a banda de Eddie Vedder também é mais punk do que os Dead Kennedys.

Memes do cartaz

Sandy e Júnior em paródia do cartaz postada como crítica na fanpage do DK
Crítica a remoção do cartaz na fanpage do DK sugerindo “se vocês não querem, tem quem queira’
Crítica ao cartaz postada na fanpage do DK

Logo vieram os criativos memes. Pegaram o cartaz e botaram a logo do Ratos de Porão no lugar do Dead Kennedys, acompanhado da legenda “Se vocês não querem, tem quem queira”. Em outra montagem botaram o nome da dupla Sandy e Júnior no lugar do DK. Teve também uma zoeira colocando a logo do Dead Kennedys no lugar da cara de João Gordo quando foi chamado pela enésima vez de “traidor do movimento punk” durante a entrevista com o Dado Dolabella.

Meme parodiando quando João Gordo foi chamado de “traidor do movimento punk”.

Músicos se dizem surpresos com a repercussão.

A banda disse que foi pega de surpresa com toda essa polêmica e repercussão envolvendo o cartaz. Eles se defendem dizendo que apenas autorizaram a divulgação da arte feita pelo ilustrador Cristiano Suarez, mas que são leigos quanto a situação política do Brasil.
A banda sente que não pode presumir saber o bastante sobre as situações em outros países para divagar sobre suas políticas específicas. O pôster divulgado não reflete uma declaração política ou o posicionamento do Dead Kennedys.” – diz a nota enviada à imprensa pela produção do grupo.

Não é a primeira vez que a banda tem problemas por causa de uma arte gráfica.

Em 1985 foi lançado o polêmico álbum Frankenchrist, trazendo um encarte do artista suíço H.R. Giger, mostrando ilustrações de pênis e vaginas, gerando o maior processo criminal na carreira da banda, que se arrastaria por dois anos. Processados por distribuição de pornografia a menores, a banda teve as cópias do disco apreendidas e entrou em recesso. Na época, foi criada então a No More Censorship Defense Fund, uma organização que lutava pelo direito de expressão artístico, tendo como um dos fundadores o vocalista Jello Biaffra, e após a união com nomes importantes como Frank Zappa, Little Steven e Paul Kantner, conquistam a absolvição da banda por 7 votos contra 5, alegando que o encarte estava dentro de um contexto artístico do disco e que o grupo não obrigava ninguém a consumir seu produto.

Baú do Rock

About the Author: Tomaz Sussekind