RONNIE J. DIO VOLTA AOS PALCOS – E FICOU UMA PORCARIA

Ronnie James Dio foi, é e sempre será um dos melhores vocais da história do metal interplanetário, tendo imortalizado não somente sua voz como o gesto que sempre nos representará, o “chifre” feito com os dedos indicador e mínimo (curiosidade: era um gesto feito por sua avó italiana para espantar o olhar do diabo, o mallochio, ou seja, o mau olhado).






Gesto usado pela avó de Dio para espantar o mau olhado

Seja em suas bandas, cantando junto com The Red Caps ou The Profets, com a Elf ou nos Elves, no Black Sabbath ou no alter ego do Black, Heaven and Hell, a voz desse demonho-mor sempre foi o ponto alto e sempre inesquecível. Além disso, sempre teve uma visão humanitária, e seu espírito sempre foi a favor da música, nunca tentando ganhar a mídia tentando ser um extremado e nem sexy, sempre confiante em sua performance e na das bandas com quem cantou. Porém, desde 2010 Dio esteve ausente do showbiz, mas tudo mudou nesse começo de 2019, com uma volta aos palcos nem um pouco triunfal nos Estados Unidos, depois de algumas aparições na Europa.

Não, Dio não voltou aos palcos

Eu imagino quantas pessoas já reagiram negativamente ao título da matéria sem sequer ler um parágrafo dela, inclusive chamando esse que vos escreve de maluco (no mínimo). E, também, quantos pararam de ler quando eu falei sobre o retorno de Dio aos palcos e foram lá explicar, nos comentários, carinhosamente, que a porra do Dio morreu, por isso que ele sumiu dos palcos, “seu ser humaninho de merda” (para ser delicado ahahah). Agora, se você ainda está lendo até aqui, vai entender um pouco mais a razão dessa resenha.

Sim, todos nós sabemos que Dio morreu em Maio de 2010 vítima de um câncer de estômago fulminante, uma das mais lamentáveis perdas da história do Metal. Acontece que uma empresa de tecnologia chamada Eyellusion criou uma imagem holográfica de Dio para “cantar” ao lado de ex companheiros de banda, como Craig Goldy nas guitarras, Simon Wright na bateria, Scott Warren nos teclados e Bjorn Englen, que nunca tocou com Dio, no baixo.  A ideia foi isolar a voz de Dio das gravações dos grandes sucessos e sobrepô-la à banda tocando ao vivo, sincronizando com o holograma. Além disso, no mesmo show, fazem participação especial Tim ‘Ripper’ Owens, ex volcalista do Judas Priest e Oni Logan, da Lynch Mob.

Imagem Holográfica de Ronnie J Dio

Acontece que o “fantasma” de Dio não tem agradado muito gente, que tem classificado o show como horroroso, com o holograma cantando sem sincronização com a banda, além da sensação de estar vendo um “cadáver” no palco… Claro que a curiosidade tem levado muita gente aos shows e ver a banda ao vivo, além de curtir Owens e Logan, talvez valha o ingresso, mas uma das grandes questões é se vale a pena remexer o passado, desenterrar nossos ídolos e transformá-los em uma caricatura (que eles mesmos talvez não quisessem ser). Seria o objetivo manter a aura de ídolo viva ou apenas fazer dinheiro a partir do que representa a marca Dio? Obviamente que é difícil aceitar a morte de nossos ídolos, mas substituí-los por uma imagem projetada nos fará esquecer que eles se foram? Ou é melhor mantermos a mística e as fotografias de nossos olhos, as gravações de ouvidos, a sensação de nossa alma e alegria de nosso coração? Será que num futuro próximo a tecnologia irá trazer de volta todos os nossos ídolos em forma de imagens? Veremos Lemmy, Fred Mercury, Chris Cornell ao “morto” nos palcos?

E aí, vocês pagariam para ver um holograma?

Baú do Rock

About the Author: Luiz Totti

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