VIÚVO É QUEM MORRE?

Já diz um velho ditado: viúvo é quem morre, pois quem fica vai dar um jeitinho! Ah, vai!!! Quer dizer, na maioria das vezes, né? Por outro lado, repor a perda de alguém importante pode ser muito difícil e problemático: vai gerar comparações, os mais fiéis vão olhar e dizer… nhéééé, não, obrigado! Alguns até conseguem, e a nova relação acaba ficando muito boa, mas é raro e o mais comum é o novo relacionamento acabar sendo alvo de muitas críticas e nunca mais se livrarão da pecha de “ex”. Não, meus amiguinhos, o Baú não virou divã de psicólogo nem clínica de aconselhamento de casais, estamos falando de banda de rock, bebê! Para nossa tristeza, muitos de nossos ídolos nos deixaram muito cedo e quase todos de forma muito dramática. Peguem seus lencinhos e suas playlists e venham comigo!

Grunge que me pariu!

Foto cortesia de  Jose Antonio Gallego Vázquez on Unsplash

O movimento grunge (que vem de grungy, ou “sujo”, que heresia!!!) que surgiu no estado americano de Washington (não confundam com a Capital Washington, DC) e, principalmente, em Seattle, revolucionou o rock e gerou algumas das melhores bandas e músicas dos anos 80. Infelizmente, trouxe também algumas das maiores tragédias musicais que levaram para sempre ícones que jamais poderão ser substituídos. O mais icônico foi, sem dúvida, Kurt Cobain. O Nirvana foi criado em Aberdeen em 1987 e rapidamente Kurt se tornou o porta voz de uma geração inteira, um anti-herói que jamais aceitou a fama, sempre com aquele cheiro de espírito de adolescente; em 1994, apenas 7 anos depois da formação da banda, Kurt foi encontrado morto, supostamente por suicídio com um tiro de espingarda, chocando o mundo inteiro e levou o Nirvana em sua viagem à Terra Prometida do Rock’n‘roll.  Não muito longe de Aberdeen, em Seattle, surgia, no mesmo ano de 1987, a banda Alice in Chains, que começou quando Jerry Cantrell conheceu Layne Stanley, um cara de cabelos cor-de-rosa, definitivamente nunca um homem dentro da caixa e, juntos, formaram uma banda para tocar em bares, beber cerveja e conquistar mulheres. Loucura total! Os dois dividiram os vocais da banda até que, em 2002, Laney morreu por overdose e a banda fez uma pausa até 2005, quando retomou as turnês com vocais convidados até fechar com Willian DuVall que segue até hoje com a banda. Como diriam os fiés… nhééééé! Que nos perdoem Kurt Cobain e Layne Stanley, mas se não fosse por Chris Cornell e sua banda Soundgarden nada disso teria acontecido. Junto com a banda Green River, o Soudgarden foi o precursor dessa porra toda e quem criou o conceito de “som de Seattle” e Chris Cornell tinha aquele registro vocal inimitável e que o transformou em um verdadeiro mito do rock. Para quem não sabe, Cornell foi também o vocalista do Audioslave, responsável por um show o ar livre me Havanna, Cuba, para mais de 50 mil pessoas! Matt Cameron, Kim Thayil e Ben Shepherd estão fazendo shows em 2019 pela memória de Chris, junto com bandas como Temple of The Dog, Audioslave, Melvins, Foo Fighters e Metallica, mas já disseram que muito provavelmente irão aposentar o nome Soundergarden, pois não faria sentido continuar sem o mestre! A ver cenas dos próximos capítulos. Mas nem só de grunge vivem os fantasmas que se alimentam de gênios do rock…

Os fantasmas da Califórnia

Estrela do The Doors na calçada da fama em Hollywood
Foto cortesia Ray Manzarek and Robby Krieger of The Dorrs website

Lá na Califórnia (também na costa Oeste dos EUA) mais especificamente em Agoura Hills, surge, em 1996, uma banda chamada Linkin Park apresentava ao mundo uma figura chamada Chester Bennington, que deixou o mundo anestesiado logo ali, em 2017 quando se enforcou logo depois de um show em Detroit… teriam seus problemas com álcool e drogas levado a esse ato extremo? Mike Shinoda comentou recentemente que a banda pensa em buscar um novo vocalista, mas teria que ser algo natural. Natural substituir Chester? Como???? Como diriam os fiés… nhééééé!!! Para ficarmos na Califórnia, mas agora indo para Los Angeles e viajando no tempo, mais precisamente em 1965 quando uma banda arregaçou as portas do sucesso e acendeu muitos fogos por muito tempo, The Doors! Banda marcante, com teclados mágicos e aquele registro vocal de Jim Morrison que jamais veremos igual. Mas em 1971 Jim se picou para a Terra Prometida do Rock’n’roll e sua morte gerou muitas especulações, desde overdose até execução pelo Governo Norte Americano à época, tendo sido o quinto artista a morrer com 27 anos e de forma misteriosa, seguindo a Robert Johnson, Jimi Hendrix, Janis Joplin e Brian Jones. A banda ainda tentou prosseguir, com outros membros do The Doors tomando os vocais (Ray Manzarek e Robby Krieger) mas, como era de se esperar, a experiência não deu certo e a banda morreu oficialmente 2 anos depois, mas tem se reunido para apresentações comemorativas com vocalistas convidados.

Seguir ou não seguir, eis a questão

Da costa Oeste para a costa Leste, voamos para a Flórida, em Jacksonville para encontrarmos o Lynyrd Skynyrd, banda formada em 1973, verdadeiros pássaros livres (curiosamente, a banda se chamava One Percent mas para protestar contra um professor de ginástica chamado Leonard Skinner que havia impedido garotos de cabelos compridos de competir, adotaram seu nome, substituindo as vogais por Y) que em 1977 sofreram um terrível acidente aéreo, que matou seu vocalista Ronnie Van Zant, o guitarrista Steve Gaines, além do gerente dos roadies, Dean Kilpatrick e os dois pilotos. Seria o fim? Nesse caso, viúvo foi quem morreu, literalmente, pois 10 anos depois, após idas e vindas dos membros originais, a banda se reuniu para um tributo com Johnny Van Zant, irmão de Ronnie nos vocais e a coisa deu certo. Ainda hoje o Lynyrd faz shows, mas sua formação já não tem mais ninguém do início lá na década de 70. É válido manter o nome da banda mesmo com tantas mudanças de membros? No Brasil temos o exemplo do Charlie Brown Junior que perdeu o grande e único Chorão em 2013, vítima de uma overdose de álcool e heroína, 11 anos depois da fundação da banda, em 1992 lá nas pistas de skate de Santos. Com sua morte, a banda viu que não tinha como continuar sendo chamados pelo nome tão ligado ao vocal de Chorão e se auto batizaram “A banda” que, infelizmente, durou somente mais 6 meses por causa da morte de Champignon. Com tudo isso e com tantas formas diferentes, por quantos mais anos uma banda pode continuar existindo após a morte de um membro importante? Essa é a mesma pergunta que deve ficar na cabeça de muitas bandas cujos líderes se foram, e não só nas Américas. Vamos para uma volta ao mundo, em voo de primeira classe?

Da Costa oeste para a Costa Leste… tristezas espalhadas pelo país

Troca-trocas que deram certo… ou nem tanto

O ano é 1991 e uma notícia choca o mundo inteiro: morre de AIDS o vocalista da banda Queen Fred Mercury, com certeza o mais talentoso vocalista da história da Via Láctea (dizem que em Urano tem um Marciano que canta como um Plutoniano que é bom, mas não chega aos pés do Fred!) e deixa um vácuo que não seria jamais substituído. A banda que sempre fez qualquer um acreditar que nós somos os campeões do mundo sofre a perda que a levaria para o encerramento da carreira… só que não! Por volta de 2011, Bryan May e Roger Taylor participaram do programa American Idol quando conheceram um candidato ao estrelato chamado Adam Lambert por quem se impressionaram e o convidaram a se juntar a eles. Assim nasce o Queen + Adam Lambert… minha opinião? Nhééééééé… para mim sempre será a “Ex” do Fred… acho que esse é o caso mais emblemático de substituição que não deu lá muito certo, o que acham? Mas será que tudo sempre deu errado e ninguém acertou na substituição? Hummmm, acho que não…

Lá na Austrália, em 1973, dois irmãos escoceses, Malcolm e Angus fundaram uma banda chamada AC/DC, conhecem???? O vocalista original era um camarada chamado Bon Scott que, infelizmente, morreu em 1980 após ingerir uma quantidade inimaginável de álcool. Bon gravou 8 discos com a banda, incluindo grandes sucessos como T.N.T. e Highway to Hell. Após sua morte, os irmãos consideraram encerrar as atividades com a banda, mas acharam que Bon gostaria que a banda continuasse e, assim, recrutaram Brian Johnson, que estava com a banda Geordie com quem seguem até hoje (claro, com uma aparição de Axl Rose por conta dos problemas nas cordas vocais de Brian). Mas, quem dentre os mortais diria que Brian não é a cara do AC/DC?

Toda regra tem exceção

Foto Facebook oficial Led Zeppelin

Como se vê, em geral é a morte do vocalista que leva uma banda a encerrar sua carreira, pois é o registro vocal, a identidade da banda marcada em uma voz. Muitos fãs reconhecem a voz antes de reconhecer um estilo, e isso torna muito difícil uma substituição. Uma grande exceção com certeza foi o Led Zeppelin, banda criada em Londres em 1968 e que seguiu até 1980, quando encerrou suas atividades por conta da morte do baterista John Bonham, por intoxicação alcoólica (dizem que ele ingeriu mais de 40 doses de Vodca a partir do café da manhã). Jimmy, John e Robert decidiram que, sem o Bonham não valeria a pena continuar, pois não seria mais o Led Zeppelin. Muito bacana não é? Mas em 2007 os 3 se juntaram para fazer um show para o  Ahmet Ertegun Tribute Concert, em Londres, e trouxeram o filho de John, Jason Bonham na bateria (Jason… bateria????? Hummm, tem mato nesse coelho!!!). Esse concerto estabeleceu o record de procura de ingressos, com mais de 20 milhões de acesso on-line para ver a banda ao vivo. Mas o projeto morreu ali! Dizem os conspiracionistas que a banda mantém um quartel general secreto desde então na cidade de Frankenmuth, em Michigan nos EUA onde conheceram dois irmãos gêmeos (Josh e Jake Kiszk), outro irmão Sam e um baterista chamado Danny Wagner, todos, na época, entre 10 e 13 anos de idade mas muito talentosos. Hoje eles têm uma banda com as iniciais GVF que dizem ser uma “cópia” de Led Zeppelin. Mas a gente não acredita nisso, né? O que importa é que a união da banda fez com que eles deixassem de existir a partir da morte de John.

E então, existe vida após a morte? Deixem seus comentários!!!!

Foto em destaque do perfil de Chris Cornell no Facebook

Baú do Rock

About the Author: Luiz Totti

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