Wacken, festival raiz: de cervejoduto a caravana de idosos

Wacken open air 2019
Wacken open air 2019

Wacken é uma cidade do Norte da Alemanha, já bem perto da Dinamarca com apenas 1.877 habitantes em 2017, ou seja, maior do que apenas 86 cidades brasileiras entre 5570 municípios. Incrivelmente pequena mas que traz em suas entranhas um dos maiores festivais de rock da Europa, se não do Mundo inteiro: o W:O:A, ou Wacken Open Air, festival que acontece por 3 dias (eram 4 no início) na primeira semana de Agosto desde 1990.

Festival ocorreu no primeiro final de semana de Agosto de 2019

Rock significa paz e amor em qualquer idioma do mundo e, associado a isso, vêm a tolerância, a aceitação das diferenças e a convivência pacífica (claro, tirando os mosh lokão) e os participantes são sempre chamados a retirar toda a sujeira e deixar o local limpo e adequado, para, segundo o site oficial, “poderem celebrar em Wacken pelos próximos 30 anos, pelo menos”. Ao final dos shows no Domingo, todo mundo saiu carregando seus resíduos sejam lá quais fossem.

Foto de um dos participantes mostrando a limpeza da área após o término do festival: educação

Mas o objetivo hoje aqui é trazer algumas curiosidades sobre o festival desse ano e mostrar como o festival de Wacken se diferencia de muitos organizados mundo afora. Para começar, a cerveja! A Alemanha é, disparada, a maior produtora de cervejas da Europa, tendo produzido, em 2018, mais de 8,3 bilhões de litros da bebida, seguido de longe pela Inglaterra com 4,5 bilhões: cada alemão bebe, em média, 114 litros de cerva por ano, contra 60 litros dos brazucas ou brazucos (todo dia é um 7 x 1). Por isso, em um festival que vá ter um público de mais de 80 mil pessoas em pleno verão Europeu, a organização estima um consumo médio de 5,1 litros por rockeiro, trazendo então a necessidade de abastecimento de mais de 400 mil litros para os 3 dias do festival. Imaginem a pequena cidade de Wacken com os caminhões transportando barris todos os dias? Solução germânica: poha, mete um tubo aí, brother! E lá foram eles, com uma tubulação de 7 km enterrada 80 cm no chão (desde 2017), que facilita a vida da organização e ainda permite aos fazendeiros de Wacken a plantar na área durante o resto do ano.

Trabalhadores instalando o cervejoduto em 2017

Outra curiosidade em Wacken é a presença de idosos de uma casa de repouso da cidade no festival, o que acontece desde 2013, quando um dos moradores (fã de AC/DC), então com 59 anos e sofrendo de esclerose múltipla havia dito que seu sonho era assistir ao W:O:A… um dos enfermeiros, então, organizou uma surpresa e o levou ao festival; agora, além de ser uma tradição, é considerado o melhor momento do ano na “Haus am Park” (Casa no Parque), uma casa de repouso para a terceira idade da cidade de Wacken e o evento que gera mais expectativa. Esse ano, por exemplo, 13 themonhos seniores que foram assistir aos shows, sendo que 3 deles estã cometendo a infração pelo terceiro ano seguido… rock é viciante! Eles não estão apenas amando o bom e velho rock, mas provando que nunca se é velho o suficiente para se fazer o que amamos, ou seja, bater cabeça ouvindo rock and roll! A mais velha do grupo é a Sra. Waltraud Fischer, de 95 anos e ainda fazendo o sinal que Dio nos ensinou! No total, os 13 capirotos levavam na van mais de 800 anos de experiência, vivência e lições para nós, jovens mimizentos da internet! Vida longa ao rock!

Ursula Wiebers (83), Ilse Schaefer (92) e Waltraud Fischer (95) – Quelle: https://www.svz.de/24944752 ©2019

Finalmente, o lineup desse ano: foram 23 bandas de 9 países diferentes, com massiva presença de bandas suecas (7 no total), seguida por Austrália, com 4 e Estados Unidos e Alemanha com 3 cada uma. O que me chamou a atenção, no entanto, foi a presença de uma banda das Ilhas Faroe, uma pequena ilha de 49 mil habitantes entre a Noruega e a Islândia… quem aqui já conhecia a Hamferd? A idade média das bandas era de 24,8 anos, sendo a mais nova, com 6 anos, a Parkway Drive da Austrália, e a mais velha, a banda de Glam Rock Sweet, da Inglaterra já com 51 anos de estrada.

Line up de 2019 com lista de países e tempo de existência das bandas
Baú do Rock

About the Author: Luiz Totti

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