Causos e lendas do rock

Nem tudo o que reluz é ouro, nem tudo o que balança cai, casa de ferreiro tanto bate até que fura, o apressado queima a língua, quem com ferro fere amigo é e nem toda a lenda sobre nossos ídolos é verdadeira. Na vida e na arte há histórias, estórias e causos mal contados, às vezes criados para esconder um passado e outras somente para criar uma lenda. E como rock é vida e arte, aqui vão alguns causos e a história por trás deles

Jim Morrison

Quando Jim se encontrou com o resto das portas, quer dizer do The Doors, ele disse que era órfão, o que fez com que sua imagem de homem solitário ficasse mais forte e, mais importante, ofereceu mais tempo junto ao resto da banda durante essa “entrevista”. Jimbo era uma lenda per se!

Somente anos mais tarde a banda descobriria a verdade: Jim não era órfão, mas filho de um Almirante da Marinha americana o que, naquela época era algo de que os jovens não se orgulhavam, com o ápice da campanha anti Vietnã. Sua relação com a mãe também não era muito positiva e, em 1967, ele a convidou para um show em Washington, a colocou na primeira fileira e cantou o fim da música “The End”, música que traz o complexo de Édipo de modo aberto, encarando-a e gritando “mother, I want to f*** you” (não traduzirei pois todos entenderam, certo?). Depois disso eles nunca mais se falaram, e Clara, sua mãe, costumava dizer que ele deixou de ser seu filho quando abaixou as calças em público! A lendária música The End, na voz no gênio (QI 149) Jim Morrison você escuta aqui

Angus Young

Quando o AC/DC assinou com sua primeira gravadora e começou a se tornar popular, divulgaram que o visual em roupas de estudantes era porque Angus tinha apenas 16 anos e ainda frequentava o colegial.

Quem inventou esse causo, na verdade, foi George Young, irmão mais velho do clã e produtor da banda, e foi trazido a público pelo primeiro vocalista Dave Evans. Segundo ele, George queria que o AC/DC fosse diferente das demais bandas australianas da época, trazendo o conceito de “na escola para sempre” e a ideia de diminuir a idade de Angus veio pelo fato dele ser muito pequeno e com cara de criança, apesar de já estar com 20 anos. Afinal, o modelito de estudante, costurado por sua irmã, acabou virando sua marca registrada e até hoje há quem confunda sua data de nascimento. Vejam esse vídeo de 1977 na TV inglesa com o “adolescente” Angus e Bon Scott nos vocais.

Bob Dylan

Bob era um criador de lenda e causos, e deu uma entrevista, em 1966 ao The New York Times, dizendo que ele viajou de carona para Nova Iorque para ver seu ídolo, o cantor folk Woody Guthrie. Chegando na cidade, dizia Bob, ele acabou se viciando em heroína e, além disso, ele acabou virando garoto de programa, chegando a fazer U$ 100 (hoje em dia seria em torno de U$ 800). Segundo essa entrevista, ele “faria qualquer coisa que você quisesse, desde que você pagasse”.

Na verdade, tudo isso foi para que ele se inserisse na realidade do cenário artístico da cidade na época. Vindo de uma família judia de classe média, nascido Robert Allen Zimmerman, filho de um dono de uma loja de eletrodomésticos, ele sentia que essa vida tediosa não combinava com a vida boêmia da grande cidade. Mudou seu nome para Dillion, depois para Dylan Thomas e, para ele, isso nunca importou, pois “você escolhe o nome pelo qual quer ser chamado, aqui é a terra da liberdade”. Com vocês, Mr Tambourine Man, Robert Allen Dillion Bob Dylan Thomas da Silva de Oliveira Prado Rodrigues da Costa:

Allanis Morisette

Quando Alanis despontou para o sucesso em 1995 com sua voz chorosa no álbum Alanis, lançado pela MCA em CD e fita K7 (sei lá o que é isso), todos se surpreenderam, pois dizia a lenda que ela era uma artista iniciante, recém chegada do Canadá.

O que poucos sabiam sobre ela, entretanto, é que ela já trazia uma longa carreira artística, tendo participado de programas de TV infantis no Canadá e por lá (e apenas lá) chegou a lançar dois álbuns pop-água com açúcar, e na música “Oh, Yeah”, a letra trazia algo mais ou menos assim:

My name is Alanis, I’m a white chick singer – Meu nome é Alanis e eu sou uma cantora branca

The drums are a-smokin’ and so’s the bass – o baterista é gostosão, e o baixista também

Shake your thing (chika chika chika, cha) – Balance suas coisas (chika, chika, chika)

When you sing (chika chika chika, ooh yeah) – Enquanto você canta (chika, chika, chika, oh yeah)

Just sixteen (chika chika chika, cha) – Apenas dezesseis (chika, chika, chika)

No disco queen (chika chika chika, oh yeah) – não sou a rainha do disco (chika, chika, chika, oh yeah).

Duvida? Então veja abaixo 

ZZ Top

A lenda dizia que o baixista Dusty Hill encontrara o baterista Frank Beard (curiosament, beard significa barba em inglês) em um festival de barbas e cavanhaques.

Na verdade, eles se encontraram ao participar de uma banda montada por um produtor inescrupuloso para fingirem ser a banda inglesa Zoombies, que já havia alcançado sucesso com a música Time Of The Season e conseguiram enganar muita gente, na época, apesar de muitos fãs não entenderem bem o sotaque texano daqueles britânicos…. “eram os anos 60, cara”, declarou Beard quando confrontado com a situação em 2016. Eu, particularmente, prefiro o ZZ Top do que qualquer cover dos Zoombies!!!!

Eu sei que há muitos outros casos por aí afora, mas não me lembro.. Quais outros causos famosos vocês adicionariam à essa lista?

Baú do Rock

About the Author: Luiz Totti

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