Muse encerra o Rock in Rio com seu Rock futurista e dançante

Trio britânico faz show viceral com apelo cênico de robôs e figurinos que remetem a ficção científica

MUSE – foto: Wesley Allen

Da mesma forma que aconteceu na última sexta-feira, onde uma boa parte do público do Iron Maiden debandou antes do Scorpions entrar em cena, neste domingo ocorreu algo semelhante com muitos fãs do Imagine Dragons, banda do show anterior que levou muitas famílias com crianças e pré-adolescentes para assistirem o primeiro show de suas vidas, que optaram em sair para descansar, sentar, comer ou ir embora na hora do show do Muse.

Mas isso não é problema e nem é algo tão perceptível visto de cima, afinal, mesmo que supostamente umas 20 mil pessoas saiam lá da frente da pista da Cidade Olímpica, ainda ficam 80 mil que avançam em direção do palco, preenchendo o espaço deixado pelos jovens fãs do Imagine Dragons. Apenas uma leve reciclada em uma pequena parte do público.

Após uma noite que revisitou o Pop Rock oitentista de Paralamas e Lulu, o progressivo meio jazzístico dos veteranos King Crimson, o Rock ora pesado, ora pop radiofônico e romântico do pós-grunge Nickelback e a sensação teen do festival, Imagine Dragons, chega a vez do Rock futurista do Muse encerrar a noite com um longo show de 26 canções.

MUSE – foto: Wesley Allen

Após tocar na edição de 2013 do Rock in Rio, o grupo britânico volta ao festival trazendo o show da sua turnê “Simulation theory” com direito a cenários com uma caveira gigantesca, roupas futuristas que acendem luzes piscantes, óculos de Led, robôs e uma equipe de dançarinos que esporadicamente entram no palco com bastões luminosos ou tocando trompetes como se fosse trombetas anunciando algo especial, como foi na abertura da apresentação.

O repertório escolhido para este Rock in Rio foi naturalmente mais focado no último álbum de 2018 que dá nome a turnê, mas a banda soube também explorar muito bem toda a sua discografia. Estavam no setlist faixas como “Plug in Baby”, Prelude”, “Madness”, “Uprising” e “Hysteria”. Mas podemos destacar que um dos pontos mais altos de interação foi em ”Supermassive Black Hole”, faixa que fez parte da trilha sonora de Crepúsculo.

Resenha do Muse no RiR 2019
MUSE – foto: Wesley Allen

Analisando a música e os arranjos, vemos que o grupo usa cada vez mais overdubs, programações com dobras de guitarra, sintetizadores e muitas texturas musicais que somam ao preencher a sonoridade. Em varias canções podemos ver Matt Bellamy apenas como vocalista, sem tocar sua guitarra e mais solto para interagir com o público e explorar os espaços e passarelas. Esta tendência de unir o som orgânico, tocado ao vivo, com sequências programadas, abre um leque de opções infinitas na sonoridade da banda, trazendo uma nova tendência ao Rock. No caldeirão do Muse cabe um som dançante que flerta com o eletrônico, o peso de riffs de guitarra dignos do Metal, falsetes bem colocados nos vocais, inclinações tanto para o pop, quanto para um som mais soturno e psicodélico. O mais interessante é que eles mesclam isso tudo mas o resultado não soa como uma mistura, e sim como algo homogêneo, com sua própria assinatura. Não é à toa que pela segunda vez são escaldados como headliners de um grande festival. Questão de mérito! Muse é definitivamente uma banda de arena grandiosa, uma escolha mais que acertada para encerrar o festival apontando o futuro do Rock para as velhas e novas gerações.

Baú do Rock

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