Ramones e a furada de zóio de Johnny no Joey

Ah, amores! Amores e paixões! Amores, paixões, rock e triângulos, zabumbas e sanfonas… a vida é um forró de emoções. Ainda mais quando essa zona toda acontece dentro da própria banda e, pior, entre irmãos!

Jeffrey Hyman nasceu em 1951, ano que consagrou o Palmeiras como campeão Mundial (ou não!?!?). Seu irmão, John Cummins, 3 anos antes, em 1948. Filhos de pais e mães diferentes, nascidos em locais diferentes, mas ainda irmãos. E irmãos são aquela coisa, né? A mãe ensina, desde pequenininho, a repartir as coisas entre eles. Assim é com a coca-cola, com o iogurte, com a Playboy e a senha do X-Vídeos.

John cresceu em Forest Hills, enquanto Jeffrey em Queens, fã de Fred Mercury que era; frequentaram escolas diferentes, comeram meninas diferentes e, embora conhecessem uma amiga em comum, a Maria Joana, nunca se encontraram. Mas isso mudou no dia em que um alemão, nascido na Virgínia, chamado Douglas Colvin, fez a conexão. Foi amor à primeira vista. Os 3 imediatamente descobriram uma energia em comum, interesses comuns, tesão por música em comum e um gosto em comum, por Jamón (que aqui no Brasil chamamos de presunto parma). E resolveram montar uma banda punk, pois a vida era realmente punk naqueles dias. Depois de horas de debates, decidiram que a banda se chamaria Los Jamones, de tanto presunto que eles comiam e, em homenagem à Maria, adotaram o nome em espanhol. E, para fazer jus ao nome, resolveram adotar, todos, o sobrenome Jámon (mais tarde, um empresário os convenceria a mudar para algo mais fácil para os americanos pronunciarem, e eles mudaram para Ramón e a banda passa a se chamar Ramones).

O primeiro a mudar o nome foi o Doug (como diriam os Mamonas, lá vem o alemão); fã de Raça Negra e da música Cheia de Manias, ele adotou o nome de Di di di diê Ramone (simplificado para Dee Dee Ramone), logo seguido por Jeffrey, que virou Joey Ramone e, logo em seguida, John, que virou Johhny Ramone. E, em 1976, eles explodem em sucesso, com o disco Jamones e o single Blitzkrieg Bop (que foi, inclusive, motivo de uma dança pela Família Adams e tantos outros famosos).

Famosos ficaram os Jamones, quer dizer, os Ramones. E, com a fama, vem muita coisa boa… sucesso, dinheiro, reconhecimento e, para alguns mais sortudos, mulheres. E com os Presuntos de Nova York, quer dizer… com os Ramones não foi diferente. Em uma bela tarde de sol, enquanto pensava na Maria (a Joana, lembram?), caminhando pelo Central Park, Joey acaba dando uma trombada em uma linda moçoila, que imediatamente o reconhece. Linda Marie Danielle, uma americana de ascendência francesa e que adorava uma baguete amanhecida, dura e comprida, imediatamente se apaixona por Joey. Olhares, tremores, mãos suadas, “vamos no ensaio da banda”, disse Joey.

E eles foram… Linda se encanta, o punk é lindo, os irmãos são lindos, as calçcas de couro grudads no corpo são lindas. Depois do ensaio, apartamento de Joey, mão naquilo, aquilo na mão, Bourbon, caipirinha e coxinha de catupiry. Cama, arrepios, Joey dá um picote, funga no cangote, uma bimbada, um tapa na marvada, ai que vontade que dá! Tudo parecia ir bem para Joey quando Linda, de repente,  acende um cigarrinho do capeta, se despede e desce as escadas, em lágrimas.

Tira de sua bolseta o seu Motorola Dynatec 8000x, última geração e telefona para uma amiga, desesperada: “Neiva do céu, acho que fiz uma cagada!!!! Tentei te ligar antes, mas não tinha nem um sinarzinho”! Neiva recomenda calma e pede a ela que pense bem no que vai fazer. Mas a vida é uma caixinha de surpresas… ao sair correndo pela rua, ela tromba com Johnny, o irmão que nunca foi, que a ampara e socorre naquele momento de sofrimento. Ele a leva para seu apartamento, no andar de baixo do de Joey, e ali ele afoga o ganso, agasalha o croquete espoca a filisbina, esfola a perseguida e fica maluquete. Depois, ainda pega um pacote de biscoito, que molha no leite para saciar a ingênua moçoila. O sinal, ali, tinha sido 5G e ela se rende ao irmão mais velho. Joey, escutando o barulho no apartamento do irmão, desce para ver o que era e Johnny entra em choque. E começa a rir sem parar, naquele KKK, KKK, KKK, KKK insuportável. Joey, como bom irmão, aceita dividir a merenda mas, como um ato de repulsa e protesto, compõe a música que selou o fim da amizade entre eles: “The KKK took my baby away”. Há quem diga que a música foi para uma namorada afro descendente de Joey, cuja família proibiu o namoro, mas não acreditem nisso, foi coisa que os Jamones inventaram para não separar a banda.

Quando Joey virou o pequeno polegar lá do céu, Johnny não foi no velório: “Eu não queria que ele viesse no meu velório e tentasse comer a Linda de novo, então, eu não fui.”  Johnny também nos deixou em 2004 e, hoje, os dois vivem se pegando lá no céu, e é por isso que, quando chove, a gente escuta aquele barulhão lá no céu. São os dois gênios se re-matando.

Esse foi mais um texto da série “Verdades Tottinianas”, onde 99% é verídico mas aquele 1%….

Baú do Rock

About the Author: Luiz Totti

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