Fênix: 6 Bandas que renasceram das cinzas de outras

Em primeiro lugar, queria dizer que não aprofundei a pesquisa em termos de datas e de todos os nomes e, portanto, pode haver uma ou outra inconsistência e pedirei antecipadamente perdão se ofendi algum fã mais exaltado e perfeccionista. O objetivo desse artigo é apenas focar na trilha que levou ao surgimento de bandas icônicas e que tiveram sua origem em outras bandas, seja por fusão, divisão ou criação direta a partir de um dos membros, trazendo a história também em forma gráfica, de um jeito que você só vê aqui no Baú. Começamos com 5 bandas e, se gostarem e quiserem ver mais casos, deixem marcado nos comentários, quem sabe não sai uma “Parte 2”. Isso posto, vamos aos fatos!!!!

Audioslave

Dezoito de Outubro de 2000 foi quando a máquina engoliu a fúria, Zack meteu a mochila nas costas e partiu para a carreira solo, deixando Tim Commerford, Tom Morello e Brad Wilk ali, meio sem saber o que fazer em Glendale, na Califórnia. Depois de 9 anos juntos, as afinidades já não eram as mesmas, nem a forma de ver o objetivo da banda (brigávamos até para decidir que camisetas usaríamos nos shows, disse Morello) e o RATM deixa de existir. Enquanto isso, lá em Seattle, umas 18 horas de carro a partir de Los Angeles, um certo Chris Cornell curtia sua carreira solo depois que o Soungarden terminara, em 1997, e estava preparando seu segundo disco quando foi convidado para se juntar ao trio do Rage. Segundo Morello, a química foi instantânea e intensa, o que se prova com as 21 músicas do disco “Audioslave”, de 2002, tendo sido compostas em apenas 19 dias e conquistado o selo de Disco de Platina Triplo. No total, a banda gravou apenas 3 discos e vendeu mais de 8 milhões de cópias, além de ser a primeira banda de rock da história a tocar em Cuba, em 2005, em um show gratuito que reuniu mais de 70 mil pessoas. (Muita gente fala que foram os Rolling Stones em 2016, mas o Audioslave estava só 11 anos à frente deles no fato e milhares de anos à frente na qualidade de som!!!)

RATM + Soudgarden = Audioslave

Foo Fighters

A bala que calou o mundo do rock foi disparada por Kurt em um sombrio 8 de Abril de 1994, levando-o para a sede Interplanetária do Clube dos 27, lugar reservado a alguns gênios, quase que uma conspiração do Univeso para nos levar os jovens talentos que não se encaixam nesse nosso planeta. A dor nunca acaba, a memória será eterna e o show deve sempre continuar, esse é o sonho e a missão de todo artista. E em Outubro do mesmo ano Dave Grohl se aventurou nos estúdios de Robert Land, em Seattle, e gravou 15 das 40 músicas que havia escrito durante sua permanência com o Nirvana. Músicas que ele jamais mostrara a ninguém pois não julgava serem à altura do gênio criativo de Kurt. Um detalhe: com exceção de um pequeno trecho de guitarra na música “X-Tatic”, ele gravou todos os instrumentos além, é claro, da voz em todas as músicas. Gênio que fala, né? De lá para cá, a história foi contada através de sucesso em cima de sucesso através de 9 álbuns de estúdio (e contando), com um grupo muito estável e unido (Davem Nate, Chris e Taylor são a espinha dorsal da banda por mais de 20 anos) e Dave se tornou um dos caras mais carismáticos e queridos no circuito musical mundial. Alguém discorda?

Baterista do Nirvana ou Vocalista do Foo Fighters? A vida dupla de Dave

Pearl Jam

A história do PJ é fruto de dois homens: o guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament que, como a maioria dos músicos de Seattle (aliás, o que havia na água de lá nos anos 80 e 90, hein?) começaram no underground punk e hardcore na que é a maior e mais famosa cidade do Estado de Washington, lá na divisa com o Canadá, na costa Oeste americana. Em 1984 eles formaram uma banda chamada Green River que teve pouco sucesso, mesmo que na região de Seattle apenas, aventura que gerou um disco de estúdio e um ao vivo e durou em torno de 3 anos. Stone, Jeff e Bruce Fairweather, segundo guitarrista da banda, decidiram acabar com a Green River e fundaram a Mother Love Bone que, graças ao carisma do vocalista Andrew Wood ficou muito conhecida, à época, no cenário regional e começava a ganhar mais projeção quando Andrew faleceu, pouco antes do lançamento do único disco, “Apple”. Passado o luto, Stone começa a ensaiar com seu colega (ex-Shadow) Mike McCready, que o convence a se reaproximar de Jeff e os três gravam uma fita (fita, meu Deus, não acredito que escrevi isso!!!) com 3 músicas demo para encontrarem um baterista e um vocalista. A primeira oferta é feita a Jack Irons, baterista do RHCP que recusa, mas passa a fita (!!!!) para seu colega de basquete e frentista de um posto de gasolina (e, nas horas vagas, vocalista da banda Bad Radio) de San Diego, California, que grava sua voz em 3 músicas e manda a fita de volta para o trio. Empatia, química, deu mais match que qualquer match do Tinder e Eddie Vedde é imediatamente levado a Seattle, com a adição do baterista Dave Krusen, eles formam a banda Mookie Blaylock, uma homenagem ao famoso jogador de basquete daquela época. O primeiro show acontece em Novembro de 1990 e em Dezembro eles fazem a abertura para o Alice in Chains, que os chama para abrir os shows de seu tour Facelift em 1991, e a Epic Records os chama para assinar um contrato, que foi quando eles adotaram o nome de Pearl Jam. Esse ano a banda completará 30 anos de muita estabilidade, pois Jeff, Stone, Eddie e Mike jamais sairam do grupo e a formação é a mesma desde 1999 quando Matt Cameron (ex Soudgarden) se juntou à trupe que é a mais lôngeva do grunge e já conta com 11 álbuns de estúdio.

A estrada pe longa, mas o caminho até que deu certo: Pearl Jam

Guns and Roses

A (con)fusão mais confusa de todos, como não poderia deixar de ser, foi a que ocorreu entre a Hollywood Rose e a L.A. Guns,  na belíssima cidade de Los Angeles. Bill Rose, como era entao conhecido, era vocalista da banda Hollywood Rose, que formara em 1983, junto com os guitarrista Chris Weber e Izzy Stradlin e o baterista Johnny Kreis. Em 1984, já com seu novo nome Axl Rose, briga com Weber e o demite da banda, substituindo-o por Slash, o que faz com que Johnny também saia da banda, sendo substituido por Steven Adler. Pouco tempo depois, a banda deixou de existir, em 28 de Junho de 84, após o último show no The Troubador. Não muito longe dali, também em Los Angeles, o guitarrista Tracii Guns e o baterista Rod Gardner se juntaram com o vocalista Mike Jagosz e o baixista Ole Beich para formar uma banda chamada L.A. Guns. Aliás, a proximidade entre as duas trupes era muito grande, tanto que Izzy e Tracii dividiam a mesma casa e foi assim que, quando Mike deixou o L.A. Guns, logo após o término do Hollywood Rose, Axl foi convidado para cantar com a banda. Mas foi aí que, quase que no mesmo instante, o Hollywood Rose fez uma reunião para uma série de shows, com Axl, Izzy, Chris e Steve Darrow (um dos 3 baixistas que acompanhava a banda), e Rod Gardner, do L.A., entrando na bateria para completar a banda. Quando Chris Weber teve que ir para Nova York, eles chamaram Tracii Guns para substitui-lo, assim como Ole Beich tomou o lugar de Steve Darrow. Ufa… estava formado o Guns n’ Roses, uma mescla do nome das duas bandas, oficializada com o show “L.A. Guns and Hollywood Rose presents Guns N Roses” em 26 Março de 1985. Foi o primeiro e último show de Ole, que foi demitido e substituido por Duff McKagan e, quando estavam preparando a gravação de seus primeiros singles, outra briga de Axl, agora com Tracii, faz com esse deixe a banda, sendo substituido por Slash e, na sequencia, Rod também decide sair, que é quando Axl traz de volta o baterista da Hollywood Rose, Steven Adler. No final das contas, o Gun n’ Roses já não tinha mais nada do Guns e tudo do Rose, com a adicção de McKagan e foi com essa formação clássica que o Guns revolucionou boa parte do rock Californiano e, por que não, Global. Só para recapitular essa confusão toda, ficaram: Axl Rose nos vocais, Slash e Izzy Stradlin nas guitarras, Steven Adler na bateria e Duff McKagan no baixo. Ufa! Espero que vocês tenham entendido, pois nessa aqui, nem eu entendi… Vou ler de novo!!!! Guns teve muitas idas e vindas e acabaram gravando “apenas” 7 álbuns de estúdio mas, com certeza, lideram os rankings de confusão do planeta rock. Finalmente voltaram a se juntar, com o tour North American Stadium Tour 2020, planejado para 44 shows, dos quais apenas 2 foram completados, em virtude da pandemia de coronavírus. Como curiosidade, há quem chama o Axl de Tia Gordinha do Zap-Zap, ou do condomínio, mas eu, particularmente, acho ofensivo e não gosto. As tias não merecem… 🙂

Guns n’ Roses – Estrada turbulenta

Legio Urbanae e Capital Inicial

E no Brasil, também teve a fusão de duas bandas para formar uma terceira ainda melhor? Sempre há, mas o caso mais notório de herança musical no Brasil ocorreu de forma inversa, com o Aborto Elétrico, da Brasília dos anos 80, que deu à luz a dois dos mais icônicos símbolos do rock dos anos 80, a Legião Urbana e o Capital Inicial, além de quase ter sido também o berço do Plebe Rude. O aborto nasceu em 1978 quando Fê Lemos, recém chegado da Inglaterra, combinou com o Sul-Africano André Pristorius de montar uma banda com André Muller (que mais tarde fundaria o Plebe Rude). Acontece que Renato Russo meio que atravessou esse esquema, e convidou Lê e André para tocarem juntos, nascendo, assim, o Aborto Elétrico, com Renato no baixo, André na guitarra e Lê na bateria. Com a ida de André para cumprir sua obrigação com o exército na África do Sul, o irmão de Lê, Flávio Lemos, assume o baixo e Renato passa para a guitarra, criando assim a banda que muitos consideram como sendo o estopim do movimento do rock de Brasília, que tanta coisa boa trouxe ao nosso cenário nacional (podemos chamar de Seattle Brasileira???). Um pouco mais tarde, Ico Ouro Preto (irmão de Dinho), entra como guitarrista enquanto Renato se concentra nos vocais. No final de 81 Renato e Fê já não se entendem bem e as brigas acabam levando à debandada do A.E. que se dividiu em 2 grupos: de um lado, Renato Russo se juntando a Marcelo Bonfá para criar o Legião Urbana em meados de 1982, com Paulo Paulista e Eduardo Paraná, que sairam após o único show do qual participaram, dando lugar para Ico assumir uma vez mais as guitarras. Ico, porém, não se adaptou à banda e logo em seguida foi substituído por Dado Villa-Lobos formando assim o trio responsável por alguns dos maiores clássicos do rock brasileiro, mais tarde transformado em quarteto com a entrada de Renato Rocha no baixo em 1984. À outra metade do Aborto, composta pelos irmãos Lemos, se juntaram o guitarrista Loro Jones e a vocalista Heloísa para criar o Capital Inicial, mais ou menos na mesma época que a Legião era formada. Heloísa, no entanto, após poucos shows, é proibida pelo pai de participar e a banda recruta Dinho Ouro Preto (que havia sido companheiro de Dado e Bonfá na banda “dado e o reino animal) e essa formação, que pode ser considerada a primeira e clássica, segue junta por 10 anos quando Dinho resolve tentar a carreira solo, retornando ao Capital em 98 para não mais sair.

A Mitose do Aborto Elétrico gerou a Legião Urbana e o Capital Inicial
Baú do Rock

About the Author: Luiz Totti

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