20/10/1977 – O último vôo de Leonard Skynner

Fim trágico de uma banda clássica

Greenville é uma cidade de pouco mais de 60 mil habitantes na Carolina do Sul, nos EUA, muito próxima das fronteiras com os estados da Geórgia e de Mississipi. Bem no meio da cidade, um pequeno aeroporto com duas pistas perpendiculares recebe um avião Convair CV-240, fabricado em 1948 chegando de Lakelan, na Flórida. Pouco antes de pousar, entretanto, o motor do lado direito havia soltado labaredas de quase 3 metros, assustando a seus passageiros, os integrantes da banda Leonard Skinner e equipe.

O show do dia 19 de Outubro de 1977 seria o de número 70 do tour “Street Survivors” (Os sobreviventes da rua), que havia visitado, além dos EUA, o Japão e a Europa. Ironicamente, no meio do tour, mais especificamente em 15 de Outubro, eles mudaram o nome para “Tour of the Survivors” (turnê dos sobreviventes, uma premonição, talvez?).

O clima era tenso naquela quinta feira, 20 de outubro, fruto da lembrança do motor em chamas no dia anterior, e a banda decide que, chegando na Louisianna, eles abandonariam o avião e se deslocariam de outra forma. Às 4 da tarde o CV-240 decola de Greenville e pega uma rota a Sudoeste, voando sobre a Geórgia, Alabama e Mississipi e indo para Baton Rouge. O vôo seguia tranquilo até que, por volta das 6:30 h da tarde o motor direito para de funcionar. Billy Powell se assusta e vai ao cockpit apenas par ser informado de que estava tudo bem, e que eles estavam transferindo o combustível para o tanque da asa esquerda. Tensão, muitas coisas se passando pela cabeça e, enquanto os pilotos pedem autorização para pouso de emergência em Mississipi, o motor esquerdo também falha.

Powell volta ao cockpit, dessa vez com Pyle ao seu lado e os pilotos dizem que farão um pouso de emergência, mandando todos voltarem aos seus bancos e afivelarem os cintos de segurança. Todos menos Ronnie Van Zant, que estava dormindo no chão do avião. Eles o acordam, mas não já não havia tempo para mais nada. Os últimos segundos foram eternos e toda a trajetória se passou diante dos olhos deles. O sacrifício para montar a banda, os ensaios barulhentos na garagem do Burns, os múltiplos nomes no começo: My Backyard, seguido por Noble Five, Wildcats, Sons of Satan, Conqueror Worm, Pretty Ones, e One Percent. Ronnie ainda riu quando se lembrou que, em um show, gritou que o nome da banda seria Leonard Skynner, o nome do professor de ginástica que os punia por terem cabelos compridos. Depois trocaram todas as vogais por “y” para preservar o nome dele: Lynyrd Skynyrd. A saída de Burns, a chegada de Pyle, a entrada de Gaines. Eles viram tudo isso.

Em seu último gesto, Ronnie se agarrou a um travesseiro, segurou a mão de Pyle, sorriu e disse: “Meu amigo, chegou a hora de partir”. E ele se foi, junto com os dois pilotos, o gerente do tour Kilpatrick, o guitarrista Steve Gaines e sua irmã Cassie. Em um ano que já havia perdido Elvis Presley, o mundo se despede da banda que queria ser maior que os Rolling Stones mas não teve tempo de provar.

E, ainda mais irônico do que a mudança do nome do tour, é saber que o avião caiu como um “free bird” logo depois de sobrevoar a “Sweet Home Alabama”.

Baú do Rock

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