“ROCK-PUNK-POP” – do berço familiar até meus giros pelo mundo

Breve clipe de músicas anos 80/90 e como influenciaram minha vida (e de toda uma geração).
CLIQUE NA FOTO PARA ASSISTIR.


Aqui estou eu, Silvia Wya Poty, apresentando-me como nova editora do Baú do Rock! E, para tal, compartilho um pouquinho do porque o Rock foi sempre tão importante na minha trajetória humana neste mundo-doido-de-Dios.

Nasci numa família totalmente pop/rock. Meu pai era um ser totalmente festeiro, e muitas vezes fazia festa apenas entre nós: pai e filhos na sala de casa. Às vezes a “balada” acontecia em pleno domingo de manhã, com músicas tipo Ghostbusters ou Karma Chameleon ecoando a todo volume pela casa, enquanto meu pai nos acordava batendo palmas na entrada de nossos quartos. “Acooorda, molecaaaada…..!”- gritava ele enquanto gingava o corpo, fazia bico de John Travolta e deixava a música penetrar e ativar nossos cérebros infanto-juvenis very dorminhocos.

Desde criança o ambiente doméstico envolvia caixas de alto-falante imensas na sala, aqueles aparelhos musicais anos 80/90 super articulados de 4 ou 5 andares, luzes coloridas piscando no ar, roupas brilhantes descoladas com uma pegada meio-punk-meio-B52’s que ele comprava pra gente (com direito a gel-purpurina-prateada nos cabelos), e dança, muita dança. Tina Turner, Beatles, Queen, Michael Jackson, ABBA e por aí vai. Quando ele ia nos buscar de carro no colégio, em minha pré-adolescência, todo mundo reconhecia o carro dele, com os power-speakers no volume máximo tocando “Baaad Medicciinnnne” ou “I am what I am… Am what I aaaaam, need no excuses!!”… e meus amigos gritavam para mim: “Sil, acho que teu pai chegooooou”- sempre rindo juntos da situação peculiar, vendo meu pai cantando teatralmente as músicas com um isqueiro na mão como microfone.

Era assim que a gente se dava bem, em meio a uma família um tanto maluca e desestruturada em vários sentidos. Era nesses momentos, quando a gente dançava junto, curtia, pirava… que eu esquecia de tudo e me sentia bem…, e a vida fazia muito mais sentido pra mim.

Também, nos dias de “fossa”- quando o menino que eu gostava não me dava bola, ou a saudade imensa da mãe que estava distante doía demais no meu peito, meu pai me convidava a deitar sozinha no sofá, colocava uma luz bem suave no canto da sala e, na vitrola, uns discos de novela que tinham “Love Hurts”, “Carrie” e “I wanna know what love is”. E eu ficava ali, por horas, sozinha… no “escurinho penúmbrico melodioso” sendo embalada pelas canções que faziam o choro sair e aliviar o peito hurt-inflamado da menina-moça.

U2, Ramones, Led Zeppelin, Pixies, Durutti Column, Joy Division… chegaram logo em seguida e ficaram pra sempre.

Ainda neste momento “adolescil” de vida (dos 12 aos 15 anos de idade), além de estarmos sempre assistindo filmes como Footloose, Flashdance e Curtindo a Vida Adoidado (sabíamos as falas e as coreografias de cor e salteado), meus irmãos e eu íamos todo sábado à noite para a boate/danceteria da cidade. Snap e New Order na veia até às 5 da manhã!:) E, também, todos, todos, todos os shows ao vivo das bandas que vinham pra cidade (e muitos outros que assisti ao longo dos anos viajando pelo mundo, tal como Legião Urbana, Engenheiros, Ira, Paralamas, RPM, Titãs, Toy Dolls, Little Richard, Ramones, The Cure, Smashing Pumpkins, Offspring, Bad Religion, Breeders, Violent Femmes, Smiths, New Order, Pixies, Durutti Column, U2 e muito, muito mais…).

 
Voltando um pouco mais no túnel do tempo para a minha infância, tive também experiências pop-rock bem bonitas quando morava com minha mãe. Ela sempre foi uma guerreira imensamente admirável – para quem eu tiro e sempre tirarei meu chapéu. Lembro o quanto ela lutava, dia após dia, para nos oferecer um lar aconchegante, estável e amoroso – e com boas doses de Arte. Em meio a todo o empenho dela para nos prover isso (trabalhava muito, ganhava pouco, fazia faculdade à noite e cuidava da casa e dos filhos sozinha) lembro do dia em que ela conseguiu, após economizar muito, me dar de presente o disco de uma novela que eu tannnnto queria, com a música “The time of my life”. Era uma noite um tanto chuvosa em nossa cidade fria, eu tinha uns 10 anos de idade e estava jogada nas almofadas da sala (enquanto fazia lição da escola e ouvia uma musiquinha na vitrola) quando ouvi, pelo barulhão do motor da Brasília-tosqueira lá fora, que minha mainha estava chegando. Ela entrou em casa, toda molhada de chuva, e com os seus olhos castanhos, lindos e brilhantes ela me mirou com afeto e pôs-me nas mãos uma sacola de plástico quadradinha-azul contendo em si o disco que eu tannnto queria.

– “Consegui… filha.” –  disse-me ela,  cheia de alegria, alívio e amor no olhar.

(“Now I’ve had the time of my life… No, I never felt like this before. Yes I swear, it’s the truth… And I owe it all to you) – That’s for my mom. <3

Bom, essa é uma (quase) breve apresentação para dizer que o Rock permeia minha existência desde sempre, com significativa preciosidade. E que, ao me tornar psicóloga, terapeuta corporal, dançarina profissional e malabarista do fogo, e de ter criado um método de dança terapêutica que levo para o mundo afora há cerca de 20 anos, o Rock sempre foi parte essencial de todo esse trabalho e manifestação. Aliás, desde meus 9 anos eu dava aula de dança para meus bichos de pelúcia ouvindo Madonna e The Cure, e isso acabou por se transformar na minha profissão até os dias de hoje (dessa vez com seres humanos, hehe).

Minha intenção aqui no Baú do Rock é escrever textos e gravar vídeos envolvendo temas musicais, ao mesmo tempo que trazendo reflexões sobre O  INTERESSANTÍSSIMO VÍNCULO ENTRE ROCK, EMOÇÃO E DIVERSÃO.

Por exemplo, algumas experiências e percepções que tive em shows de rock com a mente (quase) naturalmente expandida após tomar ayahuasca e outras plantas medicinais por alguns anos. A pegada africana nos drums e nos bass pulsantes do Pixies: como isso pode mexer conosco num nível muito roots e profundo. Também, um olhar preciso sobre Led Zeppelin e sua incrível habilidade de trazer a força das vísceras e elevá-la verticalmente para os céus por meio de um canto/melodia perfeitamente ardente, rebelde e ferozmente angelical (nos dando uma sensação única de transcendência). E os Ramones, com seu estilo mais cortante, horizontal, que nos conecta com a nossa humanidade como ela é: somos assim, nerds-loucos-apaixonados-frustrados-esperançosos-niilistas, e damos conta dessa vida doida gritando com a garganta e o coração, pogando sem controle algum a não ser a vontade de extravasar tudo o que é, e tudo que já deixou de ser a cada soco no ar que libera e renova a energia sanguínea-visceral-roqueira.

Nos workshops, por exemplo, trago a conexão entre a dança punk/pogo e a dança indígena – que nos remete também à relação entre os cabelos moicanos indígena e punk. (Por volta dos 17 anos de idade eu “mergulhei” no movimento underground em Curitiba e descobri, muito encantadamente, sobre o poder da dança punk como diversão, expressão autêntica e catarse-bioenergética-healing-power-ativar).

Quero escrever em breve também sobre coisas que observei nos shows do U2 uns anos atrás. A forma como percebi eles se reinventando no palco (considerando todos eles em uma idade já um tanto avançada), e a dinâmica de cada um consigo próprio e entre todos. Achei muito bacana perceber o jeito deles, – e como isso me inspirou, e quem sabe pode também inspirar a muitos de nós que estamos envelhecendo (ou amadurecendo hehe) e que precisamos encontrar novas formas de nos mantermos “ativos e vibrantes”, e não deixar o peso dos dias nos tomar. Tem atitude mais rock que essa, nos dias de hoje? 😉

(É comum ouvir feedbacks dos participantes de workshops, tal como: “Nossa, como é bom poder dançar, pirar, perder o controle… ouvindo um bom rock, e no fim de duas horas de dança ter a mesma sensação de paz que tenho após ficar dias inteiros sentado e concentrado meditando”). Sim…. rock é poderrrrr….. ! 


Postarei também um vídeo sobre o aspecto benéfico da intolerância: quando há algo abusivo ou tóxico de que precisamos nos livrar – com trilha sonora de “Another one bites de dust”;  e outro vídeo sobre o jeito firme e entusiástico da Tina Turner, e o empoderamento feminino que ela teve em sua trajetória por meio do budismo. – Pink Floyd já nos traz esse tom ativista-open-minded em suas músicas desde sempre, não?

Bem, pelo momento já escrevi bastante…..!

Agradeço a todos vocês pela atenção, e seguimos nesta estrada sonoro-existencial cheia de curvas sinuosas, neblinas flamejantes, brisas refrescantes e horizontes crepusculares cheios de cores vibrantes.

Afinal… no fundo, bemmm lá fundo… (e como já meio que dizia Cindy Lauper):  “We all just wanna have fuunnn… Ô-u-ô-u, we just wanna haaave fuuunnn….!” 


Grata, Baú do Rock (e todos os outros editores), pelo rico conteúdo online e pela despretensiosa alegria que nos traz a cada dia por meio de suas postagens. Vamos que vamos!

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Abaixo um breve *VÍDEO* sobre como o ROCK-PUNK-POP influenciou minha vida (e de toda uma geração mais que sortuda).

CLIQUE EM CIMA DA FOTO PARA ASSISTIR:

LINK PARA O VÍDEO COMPLETO NO YOUTUBE: https://youtu.be/sWjD_F4FYcY
Design: @cataliza.studio – Criação: @silvia.wyapoty – Imagens: Footloose, Sex Pistols e arquivo pessoal
Baú do Rock

About the Author: Silvia Wya Poty

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